Noções de Contabilidade – Guia Básico

Noções de Contabilidade – Guia Básico

Tempo estimado de leitura: 24 minutos


O que você verá nesse artigo:

  • Desmistificação da Contabilidade: Longe de ser um “bicho-de-sete-cabeças” exclusivo para contabilistas, é uma ferramenta indispensável no dia a dia de qualquer pessoa ou empresa.
  • Conceitos Fundamentais Simplificados: O guia apresenta de forma clara e acessível noções essenciais, como a definição de património e o funcionamento do exercício social.
  • Foco nas Demonstrações Financeiras: Explicação prática sobre os principais relatórios necessários para compreender e acompanhar a saúde económica de um negócio.
  • Acessível a Todos os Perfis: Conteúdo desenvolvido tanto para empreendedores a dar os primeiros passos quanto para qualquer pessoa que procure melhorar a sua organização financeira.

A Contabilidade é a ciência que estuda e interpreta o patrimônio de pessoas e de organizações. Não apenas contadores utilizam os conceitos contábeis, por exemplo, uma dona de casa ou um empresário podem no seu cotidiano utilizar conceitos de contabilidade para diversos fins. Por isso, é necessário que pessoas com diferentes formações tenham conhecimentos dos conceitos básicos de contabilidade. Neste estudo, vamos expor de forma simples e resumida vários conceitos básicos de contabilidade para que pessoas não contadoras possam entender e conhecer melhor as noções básicas de contabilidade.



O que é Contabilidade?

A definição mais comum para contabilidade é: é a ciência que estuda a variação patrimonial (quantitativo/qualitativo) de uma entidade (pessoa física/ pessoa jurídica).

O objetivo da contabilidade é registrar, informar, analisar e interpretar as mudanças dos bens, direitos e obrigações (patrimônio) da entidade.

É a ciência que estuda e pratica, controla e interpreta os fatos ocorridos no patrimônio das entidades, mediante o registro, a demonstração expositiva e a revelação desses fatos, com o fim de oferecer informações sobre a composição do patrimônio, suas variações e o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza econômica (Hilário Franco).

O que é Exercício Social?

O contrato social estabelece o exercício social de uma entidade. A lei exige que o período tenha doze meses, porém não obriga o início em uma data específica. Isso quer dizer que, de acordo com as necessidades administrativas da entidade, os sócios poderão definir no contrato social qualquer data para iniciar o exercício social.

Lei 6.404/76, art. 175: O exercício social terá duração de 1 (um) ano e a data do término será fixada no estatuto.

Por exemplo, pode-se estabelecer que o início do exercício social seja em 20 de agosto. Assim sendo, o fim deste exercício será no dia 19 de agosto do ano seguinte. No entanto o mais comum é que o exercício social se inicie no dia 01 de janeiro e se encerre no dia 31 de dezembro do mesmo ano.

Ter o exercício social iniciando em 01 de janeiro e encerrando em 31 de dezembro, dentro do mesmo ano, facilita a elaboração das demonstrações contábeis, pois, conforme determina a legislação tributária, as empresas devem elaborar essas demonstrações dentro deste período.

Quais os tipos de Sociedades e suas Obrigações?

Sociedade é a união de duas ou mais pessoas com um fim específico. A união de pessoas com conhecimentos e interesses em comum, faz com que haja fortalecimento e um bom resultado do negócio, pois cada sócio passa a se organizar de acordo com suas tarefas e responsabilidades.

O Contrato Social é um documento oficial que apresenta todas as normas, regras e informações relevantes da entidade. Portanto, ele deve especificar claramente o tipo de sociedade adotado.

Entre os principais tipos de sociedade podemos citar:

Sociedade Simples

Nesse contexto, profissionais prestadores de serviços ou de cooperativas utilizam a sociedade simples. Por exemplo, um contador formado pode abrir uma sociedade simples, desde que tenha o registro de classe (CRC). O registro deve ocorrer no Cartório e Registro Civil de Pessoas Jurídicas.

Sociedade Limitada

Em regra, dois ou mais sócios registram as sociedades limitadas (LTDA) nas Juntas Comerciais. Além disso, os sócios ou outras empresas — sejam pessoas físicas ou jurídicas — investem capital na entidade e assumem a responsabilidade pelo pagamento das obrigações conforme o montante investido.

Sociedade em Nome Coletivo

Nesse tipo de sociedade, todos os sócios todos os sócios são solidários e respondem pelas dívidas de forma ilimitada. A formação desse tipo de sociedade é exclusiva para pessoas físicas, não podendo ter a participação de pessoas jurídicas.

Sociedade em Comandita Simples

Em termos estruturais, este tipo de sociedade apresenta dois tipos de sócios: os comanditários e os comanditados. Os sócios comanditários, não participam da administração da empresa, respondendo apenas pela integralização das quotas subscritas, tendo assim responsabilidade limitada. Os sócios comanditados, são responsáveis pela administração da empresa, tendo participação ilimitada, devendo saldar as obrigações contraídas pela sociedade.

Sociedade Comandita por Ações

Em essência, a divisão do capital em ações caracteriza este tipo de sociedade, tal qual ocorre na sociedade anônima. Dessa forma, os acionistas possuem responsabilidade restrita, vinculada apenas ao preço de suas ações adquiridas. Já os administradores da sociedade, tem responsabilidade ilimitada, devendo saldar as obrigações contraídas pela sociedade.

Sociedade Anônima

Esse tipo de sociedade, tem seu capital social dividido por ações, sendo de capital aberto ou fechado. De acordo com a estrutura societária, os acionistas recebem os lucros proporcionalmente à sua participação no capital. Nesse sentido, o investidor assume uma responsabilidade limitada, que alcança apenas o preço das ações adquiridas.

De Capital Aberto

É um tipo de sociedade, fiscalizada no Brasil pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que obtém recursos de pessoas físicas (trader, investidores, etc)  ou jurídicas (bancos, corretoras, etc) através das bolsas de valores.

De Capital Fechado

Possui a entrada de capital fechado apenas para quem já é acionista da sociedade.

Sociedade Cooperativa

É uma associação de pessoas com interesses comuns, organizados através de assembleias democráticas para execução de serviços de acordo com a finalidade da entidade. Os membros deste tipo de sociedade são conhecidos como cooperados. Os cooperados são ao mesmo tempo donos e usuários dos serviços.

Sociedade de Advogados

Nesse modelo, um ou mais sócios — exclusivamente advogados — compõem a sociedade. Além disso, todos os membros devem manter registro ativo no Conselho Regional da OAB e observar rigorosamente todas as normas que regem este tipo de sociedade.

Quais as Funções da Contabilidade?

Toda empresa necessita ter um serviço de contabilidade. Esse serviço pode ser próprio, tendo contadores internos à empresa (funcionários) ou externo através da contratação de uma empresa de serviços contábeis. A contabilidade tem como principal função: receber, administrar e processar os dados financeiros e econômicos da empresa. De posse desses dados, a contabilidade pode realizar o análise e gerar as demonstrações financeiras (relatórios).

Fundamentalmente, a contabilidade exerce funções econômicas e administrativas dentro da organização. Por conseguinte, a análise dos resultados apresentados aos administradores embasa decisões estratégicas sobre o aumento da produção, a quitação de passivos, a concessão de descontos e a gestão eficiente dos custos operacionais.

Vale ressaltar que o setor contábil produz informações que não servem exclusivamente aos administradores da entidade. Isso ocorre porque diversos usuários externos também demonstram interesse nesses dados, como, por exemplo:

  • acionistas e investidores: sob a perspectiva do mercado, examinam a saúde financeira da entidade. Consequentemente, eles buscam identificar os ganhos que a aquisição ou a alienação de ações pode oferecer.
  • Fornecedores: analisam a capacidade de pagamento à prazo da entidade.
  • Bancos: analisam a capacidade de pagamento de créditos financeiros.
  • Governo, fisco: analisam os impostos que a entidade deve e os valores que ela efetivamente recolheu. Dessa forma, os órgãos fiscalizadores verificam se a empresa quitou os tributos corretamente.

O que é Patrimônio?

É comum se definir patrimônio como sendo: conjunto de bens, direitos e obrigações de uma pessoa física ou entidade jurídica. Em suma, realmente podemos definir que o patrimônio são as partes que compõem o balanço patrimonial da entidade, o ativo (conjunto de bens e direitos), o passivo (obrigações) e patrimônio líquido (obrigações).

Quais os Princípios da Contabilidade?

Em suma, os princípios contábeis reúnem regras, normas e conceitos que orientam a aplicação prática da contabilidade. Tais diretrizes garantem a padronização das informações e permitem que os usuários comparem as demonstrações de diferentes entidades, inclusive de países distintos.

Existem seis princípios da contabilidade:

1 – Princípio da entidade:

Fundamentalmente, o patrimônio da entidade pertence exclusivamente a ela. Nesse sentido, os administradores não devem utilizar recursos da organização para quitar despesas pessoais, uma vez que ninguém deve confundir o patrimônio particular com o da entidade. “O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição” (CFC 750/93, art. 4).

2 – Princípio da continuidade:

Ao avaliar ou realizar lançamentos contábeis para geração de relatórios é necessário sempre considerar que a empresa existirá no futuro, desde que haja uma evidência muito clara em contrário. É provável que quando alguém abra um negócio, a intenção é que este permaneça por tempo indeterminado.

3 – Princípio da oportunidade:

Nesse sentido, este princípio vincula-se às características qualitativas fundamentais de relevância e representação fidedigna. Isso ocorre porque, pelo princípio da oportunidade, o contador deve registrar as variações patrimoniais de maneira tempestiva e íntegra, ou seja, imediatamente e de forma integral conforme os fatos ocorrem.

4 – Princípio do registro pelo valor original:

De acordo com esta norma, o contador deve efetuar todos os lançamentos pelo valor original da transação e na moeda do país onde a empresa se situa. Dessa maneira, a contabilidade preserva o custo histórico da operação, mesmo que a entidade realize transações com outros países.

5 – Princípio da competência:

De acordo com esta regra, o contador deve efetuar o lançamento contábil no exato momento em que o fato gerador ocorre. Dessa forma, a contabilidade registra a transação independentemente de o caixa confirmar o pagamento ou o recebimento.

6 – Princípio da prudência:

De acordo com esta norma, quando o contador enfrentar dúvidas ou encontrar várias alternativas de valor após mensurar um componente, ele deve aplicar o menor valor para o Ativo e o maior valor para o Passivo. Dessa forma, a entidade evita a supervalorização dos seus bens ou a subvalorização das suas obrigações.

    O que é Balanço Patrimonial (BP)?

    O Balanço Patrimonial é uma demonstração obrigatória para todos os tipos de entidades. Tem como objetivo mostrar a posição financeira e patrimonial da organização ao final de cada exercício social. Apresenta os resultados dividindo-os em três categorias: bens, direitos e obrigações.

    O art. 178 da Lei nº 6.404/76 informa que as contas do Balanço patrimonial devem ser classificadas:

    De acordo com as normas contábeis, a contabilidade organiza as contas do Ativo em ordem decrescente de liquidez, considerando os elementos que o profissional registra em cada uma. Nesse sentido, o sistema agrupa essas contas da seguinte forma:

    • Ativo circulante;
    • Ativo realizável a longo prazo, ou não circulante;
    • Ativo permanente, dividido em investimentos, Ativo imobilizado e Ativo diferido.

    De acordo com as normas contábeis, a estrutura do Passivo organiza as contas em ordem decrescente de exigibilidade, considerando os elementos que o contador registra em cada uma. Nesse sentido, o balanço agrupa essas obrigações nas seguintes categorias:

    • Passivo circulante;
    • Passivo exigível a longo prazo, ou não circulante;
    • Resultados de exercícios futuros;
    • Patrimônio líquido, dividido em capital social, reserva de capital, reservas de avaliação, reservas de lucros e lucros ou prejuízos acumulados.

    O que é DRE (Demonstração do Resultado do Exercício)?

    Essa demonstração apresenta a composição dos resultados da empresa em determinado período. Se este resultado for positivo, houve lucro e se for negativo, houve prejuízo.

    A DRE segue basicamente o seguinte estrutura:

    DRE
    Receitas
    (-) Custos
    (-) Despesas
    (=) Resultados

    A Lei nº 6.404 de 15 de Dezembro de 1976, dispõe sobre as Sociedades por Ações:

    Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará:

    I – a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;

    II – a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;

    III – as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;

    IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)

    V – o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto;

    VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)

    VII – o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.

    § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados:

    a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e

    b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.

    § 3º), somente depois de realizado poderá ser computado como lucro para efeito de distribuição de dividendos ou participações.

    § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007)

    O que é Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA)?

    A DLPA é uma demonstração que complementa o BP e a DRE, pois analisa as mutações patrimoniais da conta “Lucros ou Prejuízos Acumulados” do Patrimônio líquido, evidenciando o aumento do lucro ou do prejuízo acumulado.

    A DLPA é um demonstrativo entre o saldo inicial e o final do lucro/prejuízo da empresa para o período definido. Deve-se constar nesse relatório:

    • Saldo inicial e final do lucro/prejuízo ajustados do período analisado;
    • Pagamento de dividendos;
    • Mutações patrimoniais que alterem o lucro/prejuízo da entidade.

    DLPA

    Saldo anterior de lucros acumulados – R$ 10.000,00
    (+) Lucro líquido (exercício 2xxx) – R$ 6.500,00
    (-) Dividendos distribuídos (ex. 2xxx) – R$ 5.500,00
    (=) Saldo final L.A. (ex. 2xxx) – R$ 11.000,00

    O que é Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)?

    A DMPL é uma demonstração que analisa as movimentações patrimoniais, durante determinado período, das contas existentes dentro do Patrimônio liquido, indicando as causas das movimentações.

    O que é Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC)?

    A Demonstração de Fluxo de Caixa – DFC – é uma demonstração que apresenta a posição financeira da entidade em determinado momento, detalhando toda entradas (recebimentos) e saídas (pagamentos) no caixa.

    De acordo com a Lei nº Lei nº 11.638/2007), a legislação exige a Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC) para todas as empresas de capital aberto. Além disso, essa obrigatoriedade estende-se às organizações que apresentam faturamento superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais).

    O Pronunciamento Contábil CPC 03 estabelece a estrutura desta demonstração:

    Arraste para o lado para ver tudo 👉
    FLUXO DE CAIXA
    Atividades Operacionais
    (+) Recebimento de venda de produtos
    (-) Pagamento de impostos sobre faturamento
    (-) Pagamento à fornecedores
    (-) Pagamento de salários
    (-) Pagamento de impostos e encargos
    (-) Pagamento de custos indiretos
    (-) Pagamento de juros
    (-) Pagamento de despesas operacionais
    (=) Subtotal
    Atividades de Investimentos
    (+) Recebimento de vendas de Ativo Imobilizado
    (-) Pagamento de compras de Ativo Imobilizado
    (=) Subtotal
    Atividades de Financiamento
    (+) Captação de empréstimos
    (+) Aportes de capital
    (-) Amortização de empréstimos
    (-) Reduções de capital
    (-) Pagamento de dividendos
    (=) Subtotal
    Fluxo de Caixa Total = Atividades Operacionais + Atividades de Investimentos + Atividades de Financiamento

    Quanto à metodologia, o profissional contábil pode elaborar a DFC pelo Método Direto, no qual ele considera as entradas e saídas brutas e realiza os registros em períodos diários, semanais ou mensais. Por outro lado, ele também pode optar pelo Método Indireto, em que gera as informações a partir da análise do lucro líquido e seus efeitos sobre o caixa, utilizando dados extraídos do Balanço Patrimonial e da DRE.

    O que é Demonstração do Valor Adicionado (DVA)?

    A Demonstração do Valor AdicionadoDVA – é um demonstrativo que tem como função mensurar o valor da riqueza (lucro) gerada pela entidade em um determinado período. Essa demonstração apresenta detalhadamente todos os elementos que contribuíram para essa geração de riqueza (empregados, financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza não distribuída).

    Fundamentalmente, a DVA apresenta a diferença entre o valor de venda do que a empresa produz e os custos necessários para essa produção. Portanto, ao realizar esse cálculo, o profissional contábil demonstra a capacidade da entidade de criar valor e como ela distribui essa riqueza entre os agentes econômicos.

    Todas as empresas de capital aberto devem apresentar essa demonstração (Lei 11.638/2007).

    Estrutura da Demonstração do Valor AdicionadoDVA:

    Arraste para o lado para ver tudo 👉
    FLUXO DE CAIXA
    Valor Adicionado
    (+) Receitas (Receitas brutas de mercadorias, produtos e serviços)
    (-) Insumos Adquiridos de Terceiros (Custos e Despesas)
    (-) Retenções (Depreciação, amortização e exaustão)
    (=) Valor Adicionado Líquido
    (+) Valor Adicionado Recebido em Transferência
    (=) Valor Adicionado Bruto à Distribuir
    Distribuição do Valor Adicionado
    1 – Pessoal (Folha de pagamento dos funcionários)
    2 – Governo (Impostos, taxas e contribuições)
    3 – Financiamentos (Remuneração de Capitais de Terceiros)
    4 – Remuneração de Capital Próprio
    5 – Retenção de Lucros

    O que é Capital de Giro?

    Capital de Giro são os recursos financeiros (dinheiro) necessários para que a entidade possa manter-se e garantir que haja continuidade dos negócios da empresa.

    Em termos práticos, o Capital de Giro reúne o dinheiro em caixa, os saldos bancários e outros recursos que a empresa transforma rapidamente em numerário. Nesse sentido, a disponibilidade desses ativos permite que a entidade liquide suas obrigações pontualmente, mantendo a saúde financeira do negócio.

    Para ilustrar como o Capital de Giro funciona, imagine que você compra mercadorias para uma loja e as organiza no estoque e nas prateleiras conforme realiza as vendas. No entanto, a entidade só obtém o retorno financeiro dessa operação após vender todo o estoque. Nesse intervalo, a empresa precisa arcar com diversas despesas, como o pagamento dos fornecedores, frete, água, energia e salários. Portanto, o Capital de Giro representa justamente o montante necessário para manter a continuidade do negócio enquanto a gestão aguarda o retorno do capital investido.

    O cálculo do Capital de Giro é muito importante para a continuidade da empresa, pois é necessário haver recursos para financiar clientes (compras a prazo), manter os estoques e garantir o pagamento de fornecedores, impostos, salários, despesas operacionais e outros custos. O administrador precisa analisar os custos diários e o tempo de venda e recebimento dos estoques (Payback) para projetar o valor necessário de Capital de Giro.

    O que são Custos?

    Em termos técnicos, o custo representa o sacrifício financeiro que a empresa aplica na produção de bens ou serviços. Nesse sentido, o gestor deve compreender que os custos englobam todos os gastos necessários para que o produto atinja o estágio final de comercialização, abrangendo desde a aquisição de insumos até a finalização da produção.

    Em termos contábeis, a empresa apenas incorpora um valor ao custo da mercadoria quando realiza o gasto exclusivamente no processo produtivo e não consegue desmembrá-lo dessa etapa. Por exemplo, uma fábrica de picolés deve incluir nos custos de produção a água que consome para produzir o lote dos produtos. Em contrapartida, a gestão não deve incluir a água dos banheiros administrativos no custo, pois esse gasto se desvincula do processo produtivo e configura, portanto, uma despesa.

    Exemplos de Custos na Contabilidade:

    • Água (utilizada no processo produtivo);
    • Energia elétrica (utilizada no processo produtivo);
    • Depreciação de Máquinas e Equipamentos;
    • Embalagens;
    • Mão de obra;
    • etc.

    O que é Despesa?

    Em termos organizacionais, as despesas representam os gastos necessários para manter a administração da empresa. Nesse sentido, o gestor deve tratar esses valores como custos de funcionamento, sem confundi-los com os investimentos aplicados diretamente na produção de bens ou serviços.

    Exemplos de Despesas na Contabilidade

    • Água;
    • Energia elétrica;
    • Internet;
    • Telefone;
    • Material de escritório;
    • Aluguel do prédio;
    • Material de limpeza;
    • etc.

    Quais os Regimes Tributários?

    No Brasil são três os Regimes Tributários em vigor:

    Lucro Presumido

    O Lucro Presumido é um regime tributário simplificado, onde há presunção do lucro da empresa no período de recolhimento. O contador realiza os cálculos conforme as características da empresa, aplicando uma alíquota sobre o faturamento bruto para encontrar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Existe uma tabela apresenta as alíquotas do Lucro Presumido, de acordo com a atividade desenvolvida, que variam entre 1,6% e 32%.

    Lucro Real

    O Lucro Real tem uma apuração feita com base no lucro líquido auferido no período (3 meses ou 12 meses). É um regime tributário complexo e obrigatório para certos tipos de empresas.

    Simples Nacional

    Em resumo, o Simples Nacional atende micro e pequenas empresas que faturam até R$ 4.800.000,00 anualmente. Nesse sentido, o regime descomplica o recolhimento tributário, pois unifica em uma só guia impostos como PIS, COFINS, INSS, IPI, ICMS, ISS, CSLL e IRPJ. Além disso, o sistema abrange o MEI, voltado a empreendedores que faturam até R$ 81.000,00 por ano.

    Quais os Regimes Contábeis?

    Em termos práticos, o Regime Contábil define os critérios que o profissional utiliza para apurar as receitas e despesas da entidade. Dessa forma, a contabilidade consegue identificar o resultado do período, seja ele lucro ou prejuízo. Nesse sentido, o mercado adota três modelos principais: o Regime de Caixa, o Regime de Competência e o Regime Misto.

    Regime de Caixa

    No Regime de Caixa, o contador efetua os registros no exato momento em que o capital entra ou sai do caixa da empresa. Nesse sentido, o sistema reconhece toda entrada (recebimento) ou saída (pagamento) dentro do período em que a movimentação ocorre. Dessa forma, o profissional deve lançar qualquer receita ou despesa não efetuada apenas no período seguinte, pois a norma exige que ele considere a data do pagamento real, e não a data do fato gerador. Em suma, este modelo apresenta uma característica puramente financeira, já que foca na análise bancária das ocorrências.

    Regime de Competência

    Diferente do modelo anterior, o Regime de Competência possui característica contábil e não financeira. Isso ocorre porque o contador registra todos os fatos no exato momento em que eles acontecem, independentemente de quando a empresa efetua o desembolso ou recebe o capital. Por exemplo: se a entidade adquire insumos em setembro para pagar em outubro, o profissional deve realizar o lançamento da compra em setembro, respeitando o mês em que a operação ocorreu.

    Quais as Técnicas Contábeis?

    Em termos metodológicos, as técnicas contábeis representam os procedimentos que os contadores utilizam para registrar as alterações patrimoniais e alcançar os resultados pretendidos. Nesse sentido, o profissional aplica normas específicas para garantir a integridade dos dados. Fundamentalmente, a contabilidade estrutura-se sobre quatro técnicas principais:

    Escrituração Contábil

    Fundamentalmente, a contabilidade utiliza a escrituração para documentar cada evento capaz de modificar a situação patrimonial da empresa. Dessa forma, o setor contábil centraliza essas informações em registros oficiais, incluindo os livros Diário e Razão. Além disso, a gestão pode adotar livros auxiliares para detalhar movimentações específicas de caixa e contas correntes.

    Demonstrações Contábeis

    De acordo com as normas vigentes, as Demonstrações Contábeis traduzem os dados da escrituração em informações estratégicas que facilitam a avaliação patrimonial. Portanto, esses relatórios técnicos demonstram como a entidade se comporta econômica e financeiramente ao longo do tempo. Nesse contexto, as Demonstrações Financeiras mais utilizadas são o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício.

    Auditoria Contábil

    Auditoria Contábil são procedimentos técnicos utilizados para avaliar se as demonstrações contábeis foram elaboradas conforme os Princípios Fundamentais da Contabilidade e de acordo com determinações legais pertinentes.

    Análise de balanços

    O Análise das Demonstrações Contábeis são metodologias de comparação dos dados das Demonstrações Financeiras com o objetivo de transformar esses dados em informações uteis que demonstrem a situação patrimonial e financeira da empresa.

    O que são Atos e Fatos Contábeis?

    Os Fatos Contábeis são transações que alteram a situação patrimonial da empresa, podendo alterar ou não a situação líquida desta. Os Atos Contábeis são atividades administrativas, não registradas em livros, apenas em contas de controle.

    Conforme a transação, o Fato Contábil pode ser classificado em três grupos: permutativos, modificativos e mistos.

    • Fatos permutativos representam fatos contábeis que não alteram o valor do patrimônio líquido.
    • Os fatos modificativos alteram o patrimônio líquido.
    • Os fatos mistos são permutativos e modificativos ao mesmo tempo.

    Qual a função da Contabilidade para a Sociedade?

    Desde os primórdios da civilização, o homem utiliza formas de realizar a contabilização do patrimônio. Era um modelo de contabilidade simples, mas que atendia às necessidades do período. Hoje, com a modernização dos procedimentos contábeis e com a influência da era digital, a Contabilidade passou a ter capacidade de gerir e obter informações de forma imediata e assertiva de qualquer tipo de entidade.

    A função da Contabilidade não é apenas suprir o governo de informações tributárias, mas tem uma função social de contribuir para o desenvolvimento humano, social, econômico. A Contabilidade auxilia os administradores a cuidar das organizações e desenvolver a economia dando qualidade de vida às pessoas.

    Para que essa função seja alcançada, o contador deve trabalhar com ética, responsabilidade profissional e obediência à lei. Todas as informações registradas devem ser fiéis a realidade, pois contador é corresponsável por qualquer ação dolosa praticada.

    Conclusão

    Em suma, a contabilidade transcende a mera obrigação fiscal e burocrática, assumindo-se como o verdadeiro pilar para a tomada de decisões estratégicas e para o crescimento sustentável de qualquer entidade. Compreender estes princípios básicos e a função das diversas demonstrações financeiras – como o Balanço Patrimonial e a DRE – permite que empreendedores, gestores e até mesmo cidadãos comuns tenham uma visão clara e objetiva sobre a geração de riqueza, o controlo de custos e a proteção do património. Ao dominar estas noções, estará muito mais preparado para gerir os seus recursos com eficiência, atuar com responsabilidade e conduzir o seu projeto rumo ao sucesso financeiro.


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    Sobre Fábio Leite

    Fábio Leite é bacharel em Ciências Contábeis, webmaster PHP por vocação desde 1997 e um analista rigoroso da informação. Com sólida experiência prática e domínio em tecnologia, ele une a análise de dados à inovação digital. Sua vivência na área contábil o ensinou a investigar os fatos financeiros com extrema precisão, enquanto sua atuação na web permite criar soluções acessíveis para o público. No portal Contabilidade Financeira, ele descomplica o universo tributário, transformando a pesada legislação brasileira em orientações simples, diretas e úteis para o seu dia a dia empresarial.

    0 resposta para “Noções de Contabilidade – Guia Básico”

    1. Adorei, toda a informacao acerca de nocoes de contabilidade. Eu fiz o curso ha bastante tempo, mas nuca exerci a funcao. Hoje, tive necessidade de rever alguma materia, uma vez que brevemente terei uma oportunidade de tabalho na minha area de formacao. Dai a necesssidade de fazer um pequeno refresh de allgumas materias, achei muito util a materia aqui disponibilizada por voces! Nota 1000, adorei mesmo. O meu muito obrigado, pretendo continuar a fazer consultas na vosa pagina.

      Obrigado.

      Jorge Allberto Chirindza

    2. Que artigo ótimo! estou cursando ADM e tive a necessidade de adiantar alguns conteúdos para me auxiliar futuramente com trabalhos, provas etc..
      Bem resumido mas ao mesmo tempo completo e detalhado, tenho certeza que me ajudará muito!

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