Encargos da Folha de Pagamento: Quais São?

Encargos da Folha de Pagamento: Quais São?

A folha de pagamento vai muito além do salário mensal dos colaboradores. Além disso, ela representa um conjunto de obrigações legais e encargos que impactam diretamente a saúde financeira da empresa. Por isso, compreender quais são os encargos da folha de pagamento e como calculá-los corretamente é essencial para evitar prejuízos, garantir conformidade com a legislação e manter uma gestão eficiente de pessoal.

O Que São Encargos da Folha de Pagamento?

Classificação dos Encargos da Folha de Pagamento (obrigatórios e facultativos)

Os encargos da folha de pagamento são tributos e benefícios que incidem sobre os salários pagos aos empregados. Por isso, eles podem ser classificados em:

  • Obrigatórios: impostos, contribuições e obrigações trabalhistas exigidas por lei.
  • Facultativos: benefícios concedidos pela empresa, como plano de saúde ou auxílio-creche, que não são exigidos por lei, mas fazem parte da política interna.

Incidência e base de cálculo dos Encargos da Folha de Pagamento

A incidência dos encargos varia conforme a natureza da verba salarial. Enquanto alguns tributos recaem sobre o salário bruto, outros consideram adicionais, horas extras e gratificações. A base de cálculo principal é o valor bruto da remuneração mensal.

Tipos de Encargos Trabalhistas e Previdenciários

Encargos da Folha de Pagamento: INSS (empregado e empresa)

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é um dos principais encargos. Além disso, a contribuição é dividida entre:

  • Empregado: com alíquotas progressivas entre 7,5% e 14% conforme o salário (conforme tabela da Receita Federal).
  • Empresa: geralmente 20% sobre a folha bruta, podendo variar conforme o setor e atividades econômicas.

Encargos da Folha de Pagamento: FGTS

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço é obrigatório. Portanto, o empregador deve depositar 8% do salário bruto do colaborador em conta vinculada da Caixa Econômica Federal.

Encargos da Folha de Pagamento: Sistema S, Salário Educação, RAT

Esses encargos variam conforme o CNAE da empresa. Em geral, incluem:

  • Sistema S (Sesc, Senai, etc.): entre 0,2% e 2,5% da folha.
  • Salário Educação: 2,5%.
  • RAT (Riscos Ambientais do Trabalho): entre 1% e 3%, dependendo do grau de risco da atividade.

Encargos da Folha de Pagamento: Descanso semanal remunerado, 13º salário, férias

  • DSR: remunerado e obrigatório para trabalhadores com jornada variável.
  • 13º salário: equivalente a 1/12 da remuneração por mês trabalhado.
  • Férias: equivalem a 30 dias de salário mais 1/3 constitucional, após 12 meses de trabalho.

Exemplo Prático de Cálculo de Encargos em uma Folha de R$3.000

Vamos considerar um colaborador com salário de R$ 3.000,00. Assim, veja como os encargos se aplicam:

Descontos do empregado:

  • INSS (9%): R$ 270,00
  • IRRF (simulado com deduções): R$ 0,00

Encargos da empresa:

  • INSS patronal (20%): R$ 600,00
  • FGTS (8%): R$ 240,00
  • RAT (1%): R$ 30,00
  • Sistema S + Salário Educação (4,5%): R$ 135,00

Total de encargos patronais: R$ 1.005,00

Custo total do empregado: R$ 4.005,00 (salário + encargos)

Impacto dos Encargos no Custo Total do Empregado

O custo de um funcionário vai além do salário. Por exemplo, veja a comparação:

  • CLT (R$ 3.000): custo total estimado de R$ 4.005,00
  • PJ (prestador com mesmo valor líquido): sem encargos diretos, mas há riscos trabalhistas se mal estruturado
  • Estagiário: média de 50% do custo de um CLT, sem encargos como INSS e FGTS obrigatórios

Por isso, empresas que não calculam corretamente esse impacto podem enfrentar sérios problemas de caixa e planejamento orçamentário.

Como Reduzir Encargos sem Descumprir a Lei

Incentivos fiscais e desonerações

Alguns setores têm direito a:

  • Redução da alíquota do INSS (com substituição da folha pela receita bruta)
  • Isenção de contribuições do Sistema S para entidades filantrópicas ou MEIs

Regimes tributários e suas vantagens

  • Simples Nacional: ele unifica tributos e inclui o INSS patronal em uma única guia, com alíquotas menores.
  • Lucro Presumido ou Real: permite compensar encargos com créditos fiscais, mas exige estrutura contábil robusta

Portanto, a escolha do regime ideal deve ser feita com apoio de um contador, considerando o faturamento, número de funcionários e margem de lucro da empresa.

Principais Riscos de Não Calcular os Encargos Corretamente

Nesse sentido, empresas que ignoram ou calculam mal os encargos enfrentam:

  • Multas e autuações da Receita Federal e da Justiça do Trabalho
  • Retrabalho e inconsistências no eSocial
  • Prejuízos financeiros e perda de credibilidade com os colaboradores

Manter a conformidade contábil e fiscal é, assim, vital para evitar dores de cabeça no futuro.

Conclusão

Entender e calcular corretamente os encargos da folha de pagamento é, portanto, uma das responsabilidades mais estratégicas da gestão de pessoas e da contabilidade. Isso porque, além de evitar penalidades legais, permite um planejamento financeiro eficaz, mais competitividade e valorização dos colaboradores.

Precisa de ajuda para calcular os encargos corretamente? Então, compartilhe este conteúdo com sua equipe de RH e, além disso, salve para futuras consultas.


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Sobre Fábio Leite

Fábio Leite é bacharel em Ciências Contábeis, webmaster PHP por vocação desde 1997 e um analista rigoroso da informação. Com sólida experiência prática e domínio em tecnologia, ele une a análise de dados à inovação digital. Sua vivência na área contábil o ensinou a investigar os fatos financeiros com extrema precisão, enquanto sua atuação na web permite criar soluções acessíveis para o público. No portal Contabilidade Financeira, ele descomplica o universo tributário, transformando a pesada legislação brasileira em orientações simples, diretas e úteis para o seu dia a dia empresarial.

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