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📌 Destaques do Artigo
- O Fundo de Comércio une ativos tangíveis e intangíveis essenciais à operação.
- A diferença técnica entre Aviamento (potencial de lucro) e Goodwill.
- Metodologias práticas para precificar a venda de um ponto comercial.
Ao avaliar um negócio, muitos empresários olham apenas para o estoque e o mobiliário. No entanto, isso é um erro grave. Afinal, o verdadeiro valor reside no Fundo de Comércio, o conjunto de bens que o empresário organiza para exercer sua atividade econômica. Ou seja, ele supera as paredes do imóvel e engloba a clientela, a força da marca e a eficiência da operação. Portanto, entender esse conceito é vital para realizar um valuation preciso ou negociar a venda da empresa sem deixar dinheiro na mesa.
O que compõe o Fundo de Comércio?
Primeiramente, esqueça as definições abstratas. Para ilustrar, pense no Fundo de Comércio como a diferença entre comprar uma cozinha industrial usada e comprar um restaurante premiado. Por um lado, no primeiro caso, você leva apenas fogões e panelas (ativos físicos). Por outro, no segundo, você leva a fama do chef, a fila de espera na porta e a certeza de faturamento no dia seguinte. Em outras palavras, o Fundo de Comércio é o que transforma “equipamentos” em um “negócio”.
Além disso, tecnicamente, o Glossário Contábil divide essa composição em elementos corpóreos e incorpóreos. Inclusive, o Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002) fundamenta essa proteção jurídica nos artigos 1.142 a 1.149 [Art. 1.142 CC].
- Ponto Comercial: A localização estratégica que atrai o público.
- Clientela: O fluxo constante de consumidores fidelizados.
- Reputação: A confiança que o mercado deposita na marca.
- Aviamento: A capacidade inerente do conjunto de gerar lucros futuros.
Fundo de Comércio é a mesma coisa que Goodwill?
Embora o mercado use os termos de forma intercambiável, a contabilidade exige precisão. De fato, o Fundo de Comércio é o objeto jurídico (o estabelecimento em si). Já o Goodwill é a mensuração contábil do “ágio por rentabilidade futura” — isto é, o valor extra que se paga na aquisição porque a empresa dá lucro acima da média. Contudo, ambos referem-se aos ativos intangíveis que garantem sua vantagem competitiva.
Como calcular o valor na hora da venda
Calcular o valor do ponto comercial exige rigor, não “chute”. Nesse sentido, o mercado aceita métodos específicos que o profissional contábil deve aplicar, considerando sempre o fluxo de caixa descontado e o histórico real de faturamento.
- Avalie os Ativos: Liste todos os equipamentos, estoque e mobiliário.
- Analise o Lucro Líquido: Verifique a média de lucro dos últimos 24 a 36 meses.
- Aplique o Multiplicador: Multiplique o lucro médio por um fator (geralmente entre 2 e 5), dependendo do setor.
- Ajuste ao Mercado: Considere variáveis externas, como a entrada de novos concorrentes na região.
Aspectos jurídicos e contábeis
Para sua segurança, registre o contrato de trespasse (venda do estabelecimento) na Junta Comercial. Simultaneamente, o adquirente deve auditar minuciosamente a sucessão de débitos trabalhistas e tributários. Dessa forma, realize essa auditoria prévia para blindar a operação de passivos ocultos.
O que acontece com os funcionários?
Geralmente, a regra determina a sucessão trabalhista: o novo proprietário assume os contratos vigentes. Todavia, comprador e vendedor podem pactuar condições específicas no contrato de compra e venda para mitigar riscos.
O aluguel transfere automaticamente?
Não. Na verdade, a Lei do Inquilinato exige a anuência do proprietário (ou decisão judicial) para a sub-rogação do contrato de locação. Logo, garanta essa aprovação por escrito antes de fechar o negócio.
Conclusão
Em suma, o Fundo de Comércio é o coração do valor de mercado da sua empresa. Sendo assim, dominar seus componentes, do aviamento aos ativos tangíveis, permite uma gestão financeira estratégica. Por fim, se você planeja vender, contrate suporte contábil especializado e não subestime seu patrimônio imaterial.
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