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Destaques do Artigo
- Conceito Base: Entenda como o Drawback elimina a “exportação de impostos” e barateia a produção.
- Modalidade Suspensão: Saiba como importar insumos sem pagar tributos na entrada, preservando o caixa.
- Modalidade Isenção: Descubra como repor estoques de forma gratuita após exportações comprovadas.
- Critérios de Uso: Veja quem pode solicitar e a importância da habilitação no Radar/Siscomex.
- Papel das Tradings: Entenda como empresas comerciais facilitam o acesso ao benefício para indústrias.
- Gestão de Prazos: Aprenda as regras de validade e prorrogação dos Atos Concessórios.
- Risco de Inadimplência: Conheça as penalidades, multas e a aplicação da taxa Selic em caso de erro.
- Vantagem Competitiva: Veja como o benefício impacta diretamente a margem de lucro e o EBITDA.
- Destaques do Artigo
- O conceito de "Exportação de Tributos"
- Drawback como Motor de Competitividade Global
- Transição de Causalidade e Adição
- Drawback Suspensão: Foco em Fluxo de Caixa Imediato
- Drawback Isenção: Foco na Reposição de Estoque
- Drawback Restituição: A Modalidade Histórica
- Critérios de Habilitação para Empresas
- Empresas Industriais vs. Comerciais Exportadoras
- O Papel das Trading Companies
- Redução Drástica no Custo de Aquisição de Matéria-Prima
- Impacto Positivo no EBITDA e na Margem de Lucro
- Previsibilidade e Planejamento Tributário
- A Importância do Controle de Inventário e Rastreabilidade
- Consequências do Descumprimento: O Custo do Erro
No dinâmico cenário do comércio exterior, a indústria brasileira enfrenta um desafio crônico conhecido como a “exportação de tributos”. Para que um produto brasileiro chegue ao mercado internacional com preço competitivo, a carga tributária dos insumos não deve onerar o preço final. É fundamental evitar esse custo extra. É neste gargalo estratégico que surge o Regime de Drawback, o principal mecanismo de incentivo à exportação do país.
O Drawback não é apenas um benefício fiscal, mas uma ferramenta estratégica de gestão financeira. Ele permite a importação ou aquisição interna de matérias-primas com suspensão de tributos. Para isso, basta que a empresa destine o produto final ao mercado externo.
Em ambientes de margens estreitas e câmbio volátil, dominar este regime separa as indústrias eficientes daquelas que perdem mercado. Ao longo deste guia, mergulharemos na complexidade técnica deste benefício. Assim, você transformará a conformidade tributária em uma vantagem competitiva real para o seu negócio.
O que é o Regime de Drawback e por que ele existe?
O Regime de Drawback é um regime aduaneiro especial instituído pelo Decreto-Lei nº 37/1966 e amplamente regulamentado pelo atual Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009). Em termos contábeis e fiscais, o regime funciona como um mecanismo de desoneração. Ele elimina tributos incidentes na aquisição de insumos para produtos destinados à exportação.
Diferente de uma simples isenção, o Drawback é um incentivo à produção. Nesse sentido, o regime permite adquirir matérias-primas e componentes sem o peso da carga tributária nacional. Dessa forma, a indústria nivela o campo de jogo com concorrentes estrangeiros que possuem custos de produção menores.
O conceito de “Exportação de Tributos”
Um dos princípios fundamentais do comércio internacional, defendido pela OMC (Organização Mundial do Comércio), é que um país deve exportar bens e serviços, mas nunca tributos.
Quando uma indústria brasileira importa um componente pagando Imposto de Importação (II), IPI, PIS e COFINS, e depois incorpora esse custo ao preço final de um produto que venderá na Europa ou nos EUA, ela está, na prática, tentando vender o ‘custo Brasil’ para o exterior. Como resultado, isso torna o produto brasileiro excessivamente caro e retira sua competitividade. Por outro lado, o Drawback existe justamente para neutralizar essa incidência tributária na cadeia produtiva voltada ao mercado externo.
Drawback como Motor de Competitividade Global
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Transição de Causalidade e Adição
Além disso, a existência deste regime é estratégica para o Balanço de Pagamentos do Brasil. Portanto, ao reduzir o custo de fabricação, o governo incentiva:
- Aumento do Volume de Exportações: Produtos mais baratos atraem mais compradores internacionais.
- Melhoria no Fluxo de Caixa: Na modalidade suspensão, a empresa deixa de desembolsar valores vultosos em impostos na entrada da mercadoria, preservando capital de giro.
- Agregação de Valor Nacional: Permite que a indústria importe tecnologia ou componentes específicos para montar produtos complexos aqui, gerando empregos e renda em solo brasileiro.
Portanto, para o auditor contábil, deve-se enxergar o Drawback como um ativo estratégico de planejamento tributário, e não apenas como uma burocracia aduaneira.s como uma burocracia aduaneira.
As 3 Modalidades de Drawback: Qual escolher?
A escolha da modalidade depende diretamente do cronograma de produção e do histórico de exportações da indústria. Atualmente, as modalidades de Suspensão e Isenção representam quase a totalidade das operações geridas pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX).
Drawback Suspensão: Foco em Fluxo de Caixa Imediato
Esta é a modalidade mais utilizada por empresas que já possuem pedidos de venda confirmados ou uma projeção segura de exportação.
Neste modelo, os tributos (II, IPI, PIS, COFINS, ICMS e AFRMM) ficam suspensos no momento da importação ou da aquisição no mercado interno. A “condição” para que essa suspensão se transforme em isenção definitiva é a efetiva exportação do produto final dentro do prazo estipulado no Ato Concessório (geralmente 1 ano, prorrogável por igual período).
- Vantagem Principal: Preservação total do capital de giro. A empresa não precisa desembolsar o valor dos impostos para produzir, pagando-os apenas (com multas e juros) caso não cumpra a meta de exportação.
- Indicação: Indústrias com ciclo de produção definido e contratos de exportação de curto/médio prazo.
Drawback Isenção: Foco na Reposição de Estoque
A modalidade Isenção funciona de forma ‘retroativa’. Em outras palavras, ela atende empresas que já importaram insumos (pagando todos os tributos), produziram e exportaram o produto final nos últimos 24 meses.
Como resultado, ao comprovar essa operação, a empresa ganha o direito de importar (ou comprar internamente) a mesma quantidade de insumos com isenção tributária para repor seu estoque e, desse modo, dar continuidade ao ciclo produtivo.
- Vantagem Principal: Segurança jurídica e recomposição de margem. Como a exportação já ocorreu, o risco de inadimplência com o fisco por não cumprir a meta é inexistente.
- Indicação: Empresas com fluxo constante de exportação que desejam recuperar os custos tributários de operações passadas para manter o giro futuro.
Drawback Restituição: A Modalidade Histórica
O mercado hoje raramente utiliza a modalidade de Restituição, mas a legislação ainda a prevê. Ela consiste na devolução, total ou parcial, dos tributos pagos sobre insumos importados após a exportação do produto final.
Devido à complexidade burocrática para reaver o dinheiro em espécie e à demora no processamento pelo Tesouro Nacional, as empresas preferem a Suspensão ou a Isenção, que oferecem benefícios financeiros muito mais ágeis e diretos.
Nota: É possível combinar modalidades para diferentes linhas de produtos, mas o controle contábil deve ser rigoroso para evitar a duplicidade de benefícios sobre o mesmo insumo, o que acarretaria penalidades severas em uma fiscalização da Receita Federal.
Quem pode utilizar o benefício?
O Regime de Drawback contempla as pessoas jurídicas que realizam operações de industrialização e posterior exportação. De acordo com a Portaria SECEX nº 44/2020, o foco principal recai sobre a figura do fabricante-exportador, mas a legislação permite extensões estratégicas.
Critérios de Habilitação para Empresas
Para usufruir do regime, a empresa deve cumprir requisitos básicos:
- Regularidade Fiscal: É indispensável possuir Certidão Negativa de Débitos (CND) ou Certidão Positiva com Efeitos de Negativa perante os tributos federais e a Dívida Ativa da União.
- Habilitação no Siscomex: A empresa deve habilitar-se devidamente para operar no comércio exterior (Radar), uma vez que o sistema processa eletronicamente todo o controle do Ato Concessório.
- Natureza da Operação: A empresa deve comprovar que os insumos importados ou adquiridos passarão por processos de transformação, beneficiamento, montagem, renovação ou acondicionamento (industrialização).
Empresas Industriais vs. Comerciais Exportadoras
Embora o benefício seja focado na industrialização, a estrutura do comércio exterior brasileiro permite diferentes modelos de operação:
- Empresas Industriais (Fabricante-Exportador): É a figura clássica que importa o insumo, industrializa e exporta o produto final em nome próprio.
- Empresas Comerciais Exportadoras: Podem utilizar o regime na modalidade de Drawback Intermediário. Neste caso, uma indústria fabrica o produto e o vende para uma comercial exportadora, que efetiva a saída do país. Ambas devem estar vinculadas no Ato Concessório para garantir a isenção/suspensão dos tributos na cadeia.
O Papel das Trading Companies
As Trading Companies (empresas comerciais que possuem o Certificado de Registro Especial) desempenham um papel fundamental, especialmente para pequenas e médias indústrias que não possuem braço operacional de exportação.
As Tradings atuam como facilitadoras, adquirindo a produção nacional com o fim específico de exportação. No contexto do Drawback, elas permitem que o fabricante usufrua dos benefícios fiscais mesmo sem realizar a venda direta ao exterior, desde que a Trading comprove a “saída” da mercadoria do território nacional através da DU-E (Declaração Única de Exportação) vinculada ao Ato Concessório do fabricante.
Atenção: Empresas optantes pelo Simples Nacional possuem restrições quanto ao aproveitamento de créditos tributários, mas podem operar no Drawback Suspensão e Isenção. Contudo, é vital avaliar se a desoneração do Drawback compensa a complexidade burocrática frente às alíquotas unificadas do Simples.
Vantagens Estratégicas para Indústrias Exportadoras
O gestor não deve encarar a implementação do Regime de Drawback apenas como um processo operacional, mas como uma estratégia de engenharia financeira. Quando bem gerido, ele altera a estrutura de custos da empresa, permitindo uma agressividade comercial que seria impossível sob o regime tributário comum.
Redução Drástica no Custo de Aquisição de Matéria-Prima
O impacto imediato do Drawback ocorre no “Custo das Mercadorias Vendidas” (CMV). Ao eliminar a carga tributária na entrada (que, somada entre II, IPI, PIS, COFINS e ICMS, pode ultrapassar 40% do valor da carga), a empresa reduz o desembolso necessário para o abastecimento de sua linha de produção.
- Poder de Compra: Com o mesmo orçamento, a indústria consegue adquirir um volume maior de insumos ou investir em materiais de maior qualidade tecnológica.
- Alavancagem Operacional: A redução no custo unitário do insumo permite que a empresa reduza seu preço de venda no exterior sem sacrificar a rentabilidade, facilitando a entrada em mercados altamente competitivos como o asiático ou o europeu.
Impacto Positivo no EBITDA e na Margem de Lucro
Do ponto de vista contábil, o Drawback é um dos maiores impulsionadores do EBITDA (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) em empresas exportadoras.
- Melhoria na Margem Bruta: Como o custo de aquisição cai e o gestor mantém ou ajusta o preço de venda estrategicamente, a margem bruta por unidade exportada cresce substancialmente.
- Redução de Despesas Financeiras: No Drawback Suspensão, a empresa deixa de tomar crédito bancário ou utilizar capital próprio para pagar impostos que seriam recuperáveis apenas meses depois. Isso reduz a despesa com juros e melhora o resultado financeiro líquido.
- Fluxo de Caixa Liberado: O regime libera o capital de giro que ficaria “preso” em impostos retidos na alfândega para investimentos em P&D, marketing internacional ou modernização de maquinário.
Previsibilidade e Planejamento Tributário
Ao contrário de outros incentivos que dependem de decisões judiciais ou interpretações instáveis, o Drawback é um benefício previsto em lei com ritos claros. Isso permite que a contabilidade projete com precisão o lucro líquido das operações internacionais, oferecendo segurança aos acionistas e investidores sobre a viabilidade da expansão global da companhia.
Para que o benefício saia do papel e gere economia real, a execução operacional deve ser impecável. Como auditor, reforço que o Drawback é um regime de compromisso: você recebe a desoneração agora, mas deve provar a exportação depois.
Passo a Passo: Como solicitar e gerenciar o Drawback
A gestão do Drawback é realizada eletronicamente através do sistema Siscomex. O processo é cíclico e exige integração total entre os departamentos de Compras, Produção e Contabilidade.
- Habilitação no Siscomex
Antes de qualquer pedido, a empresa deve estar habilitada no sistema Radar (Ambiente de Registro e Rastreamento de Atuação dos Intervenientes Aduaneiros). É através desta “chave de acesso” que o Governo autoriza o CNPJ da empresa a operar no comércio exterior e a acessar o módulo específico de Drawback.
- Abertura do Ato Concessório (AC)
O Ato Concessório é o “contrato” firmado entre a empresa e o Governo Federal (via SECEX).
– Na solicitação, a empresa deve informar o plano de exportação: o que pretende importar (insumos), em qual quantidade e valor, e o que pretende exportar (produto final).
– O sistema gera um número de AC, que será o RG dessa operação até a sua finalização. - Vinculação de DIs e DU-Es
Este é o coração do controle aduaneiro. A empresa deve realizar o “casamento” dos documentos:
– Importação (DI/Duimp): Ao registrar a entrada dos insumos, o importador deve informar o número do Ato Concessório para que o sistema aplique a suspensão ou isenção dos tributos automaticamente.
– Exportação (DU-E): Ao exportar o produto final, a empresa deve vincular a Declaração Única de Exportação ao mesmo AC. É essa vinculação que “abate” o compromisso assumido no plano de exportação. - Monitoramento de Prazos e Prorrogações
O prazo padrão de um Ato Concessório na modalidade suspensão é de 1 ano.
– Gestão de Alertas: O gestor deve monitorar se a industrialização e a exportação ocorrerão dentro desse prazo.
– Prorrogação: Caso haja atrasos na produção ou cancelamento de pedidos internacionais, é possível solicitar uma prorrogação por mais 1 ano (totalizando 24 meses), desde que justificado e solicitado antes do vencimento original. - Baixa do Ato Concessório (Comprovação)
Ao final do prazo, ocorre o “ajuste de contas”. A empresa solicita o encerramento (baixa) do Ato Concessório no Siscomex.
– Baixa Regular: Se a empresa realizar e vincular devidamente todas as exportações previstas, o Siscomex baixa o AC com sucesso e o benefício torna-se definitivo.
– Incidentes: Se sobrar insumo não utilizado ou se a exportação for menor que o planejado, a empresa deverá realizar o pagamento dos impostos suspensos proporcionalmente, acrescidos de encargos legais, para evitar a inadimplência fiscal.
Checklist: Sempre verifique se o NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) informado no Ato Concessório é exatamente o mesmo que consta nas notas fiscais e declarações. Divergências de classificação fiscal são as principais causas de problemas na baixa do regime.
Cuidados Críticos na Comprovação e Auditoria
A gestão do Drawback não termina no embarque da mercadoria. O sucesso do regime depende de uma retaguarda documental sólida e de um controle de estoque que suporte o escrutínio do fisco.
A Importância do Controle de Inventário e Rastreabilidade
O pilar central da conformidade no Drawback é o nexo técnico. A empresa deve ser capaz de provar que o insumo “A”, importado com suspensão de impostos, é exatamente o mesmo que compõe o produto “B” exportado.
- Rastreabilidade por Lote: É fundamental que o sistema de ERP da empresa esteja configurado para rastrear o consumo de insumos vinculados a Atos Concessórios específicos.
- Gestão de Resíduos e Subprodutos: No processo industrial, é comum haver perdas ou geração de subprodutos. As auditorias exigem que essas perdas respeitem os índices técnicos informados no Ato Concessório. O fisco pode interpretar perdas excessivas não justificadas como desvio de finalidade.
- Inventário Periódico: Realizar auditorias internas trimestrais para comparar o saldo de insumos no Siscomex com o estoque físico é a melhor forma de evitar surpresas no fechamento do AC.
Consequências do Descumprimento: O Custo do Erro
Descumprir as condições do Drawback (seja por não exportar o volume acordado ou por perder os prazos de comprovação) acarreta a inadimplência do regime. As consequências são severas e impactam diretamente o caixa:
- Pagamento Retroativo: A empresa deverá recolher todos os tributos que foram suspensos (II, IPI, PIS, COFINS, ICMS e AFRMM) como se o benefício nunca tivesse existido.
- Incidência de Juros SELIC: A taxa Selic acumulada atualiza os valores desde a data do registro da Declaração de Importação (DI) até a data do efetivo pagamento.
- Multas Moratórias e de Ofício: Além dos juros, aplicam-se multas que podem variar de 20% (mora) a 75% ou mais, caso o fisco entenda que houve fraude ou má-fé.
- Risco de Perda do Radar: Reincidências em descumprimentos de regimes especiais podem levar à revisão da habilitação da empresa para operar no comércio exterior.
Dica de Auditoria: “O que não está no papel, não está no mundo”. Guarde todos os laudos técnicos de produção e documentos de transporte (Bill of Lading, CRT) por, no mínimo, 5 anos após a baixa do Ato Concessório.
FAQ – Perguntas Frequentes sobre o Regime de Drawback
Nesta seção, respondemos de forma direta às principais dúvidas que surgem na rotina contábil e de Comex sobre a operacionalização do regime.
Conclusão
O Regime de Drawback é, indiscutivelmente, a ferramenta de planejamento tributário mais poderosa para a indústria que olha para o mercado global. Fica claro que a maestria sobre este tema não é apenas uma questão de conformidade, mas de sobrevivência financeira e competitividade.
Dominar as modalidades de Suspensão e Isenção, manter um controle de estoque rigoroso e estar atento aos prazos do Siscomex são os passos que transformam custos em margem de lucro. No cenário econômico de 2026, onde a eficiência operacional é o novo padrão ouro, o Drawback deixa de ser um “diferencial” para se tornar a base das grandes operações de exportação brasileiras.
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